17 de mai de 2012

Pela arte, manifestando os mistérios eucariscticos




O Tocarte é a expressão artistica da Toca de Assis, que atravéz dos meios artisticos (Teatro, dança, musica, arte sacra) buscam levar as pessoas a uma experiência com o Senhor Eucaristico. Nossa história sempre foi marcada por essas manifestações. Este blog tem a intenção de relembrar esses momentos, para também evangelizar atravez da arte, e também comunicar nossos novos projetos.

"Com arte sustentai a louvação" Salmo 32

16 de mai de 2012

E quando vem a inspiração...

Corro, pego meu caderninho e escrevo! Já aconteceu comigo, várias vezes, de ter aquele estalo.

Ver uma cena ou um personagem, às vezes, sem sentido nenhum, anotar ou rabiscar o que vejo e depois de muito tempo usar aquela ideia num musical. Foi assim com o musical que escrevi de São Francisco. Em 2005, imaginei uma cena com chuva de verdade no palco.

Peguei meu caderno e desenhei até o mecanismo para a cena. Em 2007, usamos na produção do musical de São Francisco, para a cena da estigmatização.Para os artistas que consagram sua arte a Deus, ou chegam ao conhecimento de que toda a arte por eles trabalhada e aperfeiçoada tem sua raiz no Criador, existe algo mais que criatividade. É a inspiração. É claro que você pode me dizer que inspiração é uma questão de ponto de vista. Mas, para aqueles que já sentiram aquela inspiração que vem de Deus, com certeza, irão compreender o que estou tentando dizer. É quando, inesperadamente, temos aquele click.

Talvez, você se recorde de uma citação que fiz em uma das primeiras edições desta coluna. Foi a de uma palestra que assisti que dizia que arte e mística têm muito em comum. Ambos são movimentos que estão além das capacidades de compreensão do sujeito. Não que eu esteja desmerecendo a capacidade humana, mas, sem a graça de Deus, somos incapazes de transformar as coisas. Há alguns dias, pedi à minha comunidade que escrevesse redações.

Um dos irmãos escreveu algo que me fez pensar por alguns dias: “Só Deus é capaz de tirar obras-primas dos escombros!”. Nós, talvez, reorganizando os escombros, chamamos “arte contemporânea”. E, com certeza, muita gente viria tirar fotos, olhar com uma interrogação estampada na expressão do rosto e diria: “Interessante”. Para não dizer: “Não entendi”. Mas Deus faz obra- prima. Abrir-nos à graça e permitir que Deus faça arte através de nós, é algo fantástico. Assim, nosso apostolado se potencializa nos frutos.

Como já disse, Deus inspira, providencia, realiza e colhe os frutos. Nós só somos espectadores do que Ele faz em nós. Trabalhar os dons que temos é uma necessidade. Entretanto, há muitos pegando os méritos para si. Sou eu que canto, sou eu que danço, sou eu que toco, sou eu que interpreto, sou eu que pinto, sou eu que desenho, sou eu que ainda não entendi nada! Por isso quando vier o click da inspiração, corre e escreve! Mas, entenda que Deus está por trás disso. Aquele que reza tem mais inspirações (e boas inspirações). E nem vou repetir aqui sobre ousadia, pois Deus faz a parte Dele. E nós nos acovardamos e não realizamos 10% da nossa parte.

Sempre temos aquele pessimismo que repete: “Eu não sou capaz”. E aí: game over! Já decretamos o fracasso da nossa arte. Termino contando uma experiência pessoal. Quando morava em Dourados, os jovens do Huah pediram minha ajuda para montar um teatro para a Semana Santa.

Fui falar com o padre, pois confesso que não sei fazer “teatro de paróquia”. Explico-me. Na minha concepção, os teatros de paróquia são terríveis. Mal ensaiados e com figurino quase todo feito de cetim amassado. E, quando falta alguém na última hora, sempre se pega alguém que está por ali de bobeira e coloca pra fazer um personagem. Acho um descaso com a arte! Mas, não posso negar que meus primeiros teatros foram assim. Por isso, falo por experiência. Mas, voltando a Dourados...

Começamos a trabalhar. Quando apresentei o roteiro, vi certo espanto no olhar daqueles jovens. Não acreditavam em mim. Tenho um defeito de ver as coisas prontas antes de elas estarem prontas e não saber passar essa confiança para quem está trabalhando comigo. Ensaiamos umas cinco vezes. Costurei todo o figurino (eu mesmo) para garantir que não teria decepções no dia.

Alugamos iluminação, e, mesmo com o iluminador meio passado, o teatro aconteceu, com cenário e tudo. Foi uma experiência legal, pois foi o primeiro “teatro de paróquia” que eu fiz e gostei. Podemos fazer coisas muito boas se dermos uma ajudinha para a graça de Deus. Mas, depende do nosso esforço e dedicação.


Minha dica cultural para esse mês é a reinvenção de um clássico. "Alice no país das maravilhas" impressiona pela criatividade dos cenários e figurinos, além da marcante interpretação de Johnny Depp.
Irmão Tarcísio