14 de ago de 2012

Humor sem apelação




Outro dia estava lendo o Losservatori Romano (Semanário de notícias da Igreja) e uma matéria me chamou muita atenção. O Jornal falava de“100 metri dal paradiso”, um filme italiano de comédia que fala com leveza e humor do vaticano, sem as habituais apelações que geralmente se coloca os assuntos ligados a nossa Igreja. O filme fala de uma equipe formada por padres e freiras preparados para representar o vaticano na disputa das olimpíadas de Londres. Esse filme deve demorar um pouco para chegar as nossas locadoras, mais o artigo do Losservatori deixa a gente curioso para ver o filme que fala da Igreja com humor sem apelações.
Isso me fez refletir: É possível sim fazer humor sem apelações?
 Parece a primeira vista algo difícil, pois tudo que se vê de humor na televisão ou no cinema, parece sempre ter necessidade de apelar para a linguagem vulgar e aparência erótica para ter graça. Dá-se até o nome de besteirol para definir muitas dessas criações. Pior ainda é quando para tirar risadas da platéia, se usa o nome de Deus e as coisas sagradas misturadas à imoralidade. Parece que aos poucos o ser humano vai perdendo a noção da moral e do respeito, e no palco do “Vale tudo” pode-se ofender, humilhar, desrespeitar culturas e valores, tudo em nome de um aplauso e de alguns segundos de fama e satisfação pessoal. E geralmente quem dá ibope a esse tipo de entretenimento são os pseudo-católicos em sua grande maioria.  Já se foi o tempo dos programas de humor para a família, onde o pai e a mãe se sentavam junto aos filhos na sala para um momento de boas risadas.
Mais o que falta então para se fazer humor sem apelações? Primeiramente faltam opções. As TVs católicas não tem opções atrativas neste quesito. Começa aos poucos aparecer o Stand up Comedy Católico. Não existem bons teatros católicos de comédia sadia. Então faltam opções.
No meio secular, é muito difícil encontrar opções sadias. No cinema salvam-se raras comédias românticas com certas restrições de idade. Nem mesmo o que é destinado ao público infantil é livre de palavras chulas e incitações apelativas. Na TV, os programas de humor estão cada vez mais sem graça e com uma carga de apelação muito forte. Na internet, como o palavrão é mais politicamente correto, o besteirol imoral não tem hora nem limites.
E para não terminar esse artigo com tanta carga de pessimismo eu digo que é possível fazer humor sem apelação.
Quando estudava fui convidado para participar de um teatro no encerramento do ano letivo. O teatro tinha um texto muito simples que se repetia muitas vezes de formas diferentes. Era isso que deixava engraçado. Quando já na Toca, me pediram uma idéia de teatro para uma festa, falei daquele teatro, que depois se tornou febre nas festas da Toca. Mudaram as cenas, os roteiros, mais a essência continuou igual: Fazer algo simples, engraçado, explorando os sentimentos e as formas bem exageradamente. Na Toca esse teatro é conhecido como “O pastel estragado”, mais o original tinha como nome “A ultima cena”.  No set de gravação de uma novela, o diretor reúne o elenco para gravar a ultima cena da novela. Não satisfeito com o resultado, ele modifica a forma da interpretação, pedindo drama, comédia, musica, dança, guerra, e por aí vai. O engraçado é ver um texto tão simples, de várias formas, e isso bem exagerado. A última vez que montei esse teatro foi p-ara um evento em Dourados, e foi muito gratificante ver aquelas pessoas rindo muito. Depois vinham agradecer porque a muito tempo não riam tanto sem a necessidade de apelação.
É possível fazer humor sem apelação, e eu desafio os artistas católicos a se abrirem a criatividade para oferecer boas opções às pessoas cansadas do besteirol.

Para este mês minha dica é o filme brasileiro “O Tapete vermelho”, uma homenagem muito boa ao ícone do cinema brasileiro Mazzaropi.  Uma comédia super leve que vai agradar toda a família. Com uma belíssima interpretação de Matheus Nachtergaele e Gorete Milagras, o filme conta a jornada de uma família que sai do sossego de seu sítio para levar o filho para ver no cinema um filme do Mazzaropi. Você vai se divertir com a simplicidade e a demonstração muito bem humorada da cultura do povo caipira.

Irmão Tarcísio, FPSS


"Este artigo vai ser publicado na Revista Toca de Assis do mês de setembro."

Um comentário:

  1. Que tal se você conhecer nosso trabalho. http://www.youtube.com/user/RirSantoRemedioRJ

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