24 de jan de 2013

Homens e máquinas




Num tempo onde homens e máquinas convivem quase que 24 horas por dia, parece-nos um grande desafio avançar além da infantilidade cibernética. Explico. Quando digo infantilidade cibernética, é porque de forma geral, as pessoas ainda não aprenderam a utilizar dos novos meios de comunicação e tecnologias para fazer grandes coisas. Ainda somos todos crianças trocando mensagens e fotos com nossos novos amigos, que em sua maioria não saem do mundo virtual. Alias é o mundo perfeito para as crianças que somos. Aí podemos ser o que quisermos ter a aparência ou o status que desejarmos. 
Nos últimos tempos a Igreja vem nos convocando a uma nova evangelização também nos novos meios de comunicação. Internet, facebook, tablet e outras tantas novidades são os novos desafios da evangelização. Temos aqui mais uma escolha: ou continuamos como crianças brincando com nossos novos computadores e celulares, ou amadurecemos e utilizamos desses meios para uma eficiente evangelização. Aí estão as crianças do mundo. Nesses sites e redes. E é ótimo evangelizar crianças, pois vale a lei da criatividade.
Criatividade tem sido nesta coluna da revista sempre meu melhor bordão. Por isso minha convocação desde mês é para uma invasão criativa na internet. Usemos dos meios fáceis que temos hoje ao nosso dispor para comunicar criativamente os conceitos de nossa fé. Sejamos sal e luz aí também.
Muito se investe para atrair as pessoas às redes sociais, mais ao que se refere a Igreja Católica, falta ainda ousadia e criatividade. E isso não é consentir de forma alguma com as táticas do “mundo”, mais aprimorar sempre nossa forma de fazer as coisas. “Nova evangelização” já traz em seu título a palavra “nova”. Novidade na linguagem para comunicar a boa nova que é a verdade tão antiga e tão nova: Jesus.
Assisti ao filme “A invenção de Hugo Cabret” e um pensamento em especial me chamou a atenção. No filme ele diz que o mundo é como uma máquina. Numa máquina não existem peças excedentes. Então todos tem seu papel e só falta descobrir para que fomos criados. Fiz uma alusão desse pensamento à comparação que São Paulo faz ao corpo místico de Cristo. Todos temos nossa função bem definida. Na maioria das vezes o que nos falta é calar...e ouvir o que Deus quer de nós. Saber o que queremos fazer não é fazer. É preciso esforço, dedicação, formação, preparo e coragem.
Por isso neste mês quero aqui agradecer aos conectados. Artistas que trabalham com a cabeça e as mãos, valendo-se de um computador ou táblet ou celular. Aos designers que projetam sites, cartazes, panfletos, livros.  Homens e mulheres que deixam sua arte à serviço da Igreja e tantas vezes nem são lembrados. Aos photoshopistas e cadistas de plantão. Enfim todos os que se valendo de suas máquinas fazem um grande trabalho em prol da nova evangelização.

Aos internautas que não conseguem sair da frente do computador um alerta: Aproveite seu tempo na net para comunicar as boas coisas e a Boa nova. Não perca o gosto pelo belo da vida que está do lado de fora do seu quarto ou escritório. Não tenha medo de se desconectar para encontrar pessoas de carne e osso que tem em si um mundo inteiro para ser descoberto. O gosto pelos pequenos momentos andando numa praça ou parque, contemplando as belezas simples de Deus.
Enfim. Saibam se conectar, mais saibam se desconectar para estar só com Deus.


Fica como sugestão o filme “A invenção de Hugo Cabret”, um excelente filme dirigido por Martin Scorsese, com fotografia impressionante.



Irmão Tarcísio, FPSS




7 de jan de 2013

Bento XVI e os circenses: "Comunicar através da arte os valores do Evangelho"





No início de dezembro, compartilharam em minha página no facebook esta matéria, que faço questão de publicar aqui na integra. Um encontro do Papa Bento XVI com artistas circenses. No dia 01 de dezembro de 2012 a Rádio Vaticana noticiou: 


A Praça S. Pedro ganhou uma “decoração” especial este sábado: um carrossel e uma tenda de circo foram montados dentro da Praça para preanunciar o encontro de Bento XVI com os circenses. 
O espetáculo começou cedo. Às nova da manhã, cerca de sete mil circenses participantes de um encontro promovido pelo Pontifício Conselho dos Migrantes e Itinerantes fizeram um cortejo do Castel Sant’Angelo até a Praça, que contou ainda com a presença de 500 membros de bandas musicais, que deram ritmo à festa, mesmo sob chuva. 
Momentos depois, já na Sala Paulo VI, palhaços, equilibristas, malabaristas e acrobatas de vários países europeus e dos Estados Unidos se exibiram e deram seu testemunho diante de Bento XVI. 
Após acariciar dois filhotes de leão, em seu discurso o Papa ressaltou a característica desta “grande família”, ou seja, comunicar através da arte. “A alegria dos espetáculos, a graça das coreografias, o ritmo da música constituem um caminho imediato de comunicação para colocar-se em diálogo com crianças e adultos, suscitando sentimento de serenidade, de alegria e de concórdia.” 
Justamente a partir dessas características, continuou o Pontífice, o mundo do “espetáculo itinerante” é chamado a testemunhar os valores que fazem parte de sua tradição, como o amor pela família, o cuidado pela crianças e pelos idosos. Esta profissão requer renúncias e sacrifícios, responsabilidade e perseverança, coragem e generosidade: virtudes que a sociedade de hoje nem sempre aprecia, mas que contribuíram para formar inteiras gerações de circenses. 
Bento XVI mencionou ainda os problemas relacionados a esta condição itinerante, como a instrução dos filhos, a busca de locais aptos para os espetáculos e a burocracia, que atinge principalmente os trabalhadores estrangeiros. “Faço votos de que as administrações públicas se empenhem para tutelar essa categoria”, auspiciou o Pontífice. 
A seguir, Bento XVI recordou que a própria Igreja é peregrina, assim como o mundo circense, encorajando-os a oferecerem às jovens gerações, com os valores do Evangelho, a esperança e o encorajamento de que necessitam, evitando atitudes que impedem de colher a beleza da existência, como o pessimismo e o lucro a qualquer custo. 
“Queridos artistas e agentes do espetáculo, repito o que afirmei no início do meu pontificado: ‘Não há nada mais belo do que ser alcançados, surpreendidos pelo Evangelho, por Cristo. Não há nada de mais belo do que conhecê-Lo e comunicar com os outros a Sua amizade. Só nesta amizade se abrem realmente as grandes potencialidades da condição humana. Só nesta amizade experimentamos o que é belo e o que liberta’.” 


Concluo dizendo da minha admiração pelas artes circenses. Em outra edição, já abordamos esse tema, onde a propostas eram artistas corajosos que se aventurassem na arte de evangelizar nas ruas. Certa vez, recebi um vídeo que mostrava um palhaço se apresentando para o Papa João Paulo II. O Papa, rindo como uma criança, não se continha em sua cadeira e dava boas gargalhadas. A arte pura e bem explorada do circo pode ser uma ferramenta de evangelização surpreendente. Nesta plateia, homens, mulheres, crianças, negros, brancos, índios, todos nos tornamos crianças dóceis. Aquele palhaço tem o poder de nos comunicar qualquer coisa. E se sua mensagem for a boa nova do evangelho? 


Minha dica: Como falamos de circo minha dica é outra vez um espetáculo do “Circo de Soleil”. O mais conhecido deles é “Alegria”. Uma boa opção de espetáculo circense, no melhor estilo Circo de Soleil.


Irmão Tarcísio, FPSS